Uma coisa tão pessoal como a decoração exige muita reflexão, principalmente quando o interior da nossa casa está em questão. É nesse momento que buscamos a orientação de um profissional especializado. Um decorador é capaz de otimizar o espaço, com soluções eficientes e limpas que jamais imaginaríamos.
Mas antes de tudo, é preciso saber escolher e ter muito claro o que se espera deste profissional. Porque decoradores extremamente conceituados, muitas vezes, só aceitam associar seus nomes ao projeto das nossas salas se tiverem total autonomia quanto ao mobiliário escolhido, as cores das tintas, os quadros na parede. E então, aquela cristaleira fora de moda que você gostava porque pertenceu a sua bisavó, fica terminantemente proibida.
Há quem não se incomode com isso, quem não crie laços afetivos com os objetos e prefira aquele super projeto daquela super decoradora! Mas por outro lado, tem quem fique triste. Porque alguns objetos nos acompanham por toda a vida e a hora de substituí-los é uma decisão pessoal.
Como decoradoras, mas antes de tudo, como pessoas que apreciam o aconchego de seus lares, preparamos essa coluna pra você, leitor, se orientar na hora de repaginação da sua casa. Nosso trabalho é mesclar experiência profissional e sensibilidade de quem continua sendo cliente. Quando escolher seu decorador, perceba se ele prioriza sua história de vida, suas necessidades, possibilidades e seus desejos. Só assim ele será capaz de harmonizar o ambiente com conforto, praticidade e criatividade.
A empatia entre cliente e decorador é muito importante para o bom andamento do projeto. Depois, o decorador deve demonstrar profissionalismo, na hora de pesquisar os materiais, respeitando prazos e valores pré-estabelecidos. O cliente deve deixar claro, dentro do possível, qual é seu orçamento.
As fotos deste artigo representam o que nós chamamos de “cantinhos personalizados”. São lugares nas casas em que o morador quis dar asas a um sonho, como o banheiro marroquino, por exemplo, ou integrar objetos pessoais, mobiliário requintado e o resto da casa. Porque cada pessoa tem um jeito. É o que faz a riqueza da vida e da decoração de interiores. É o que não se pode perder de vista.
A foto acima, no início do artigo, do banheiro marroquino; representa o retorno de uma viagem ao Marrocos, de onde nossa cliente trouxe muitos objetos tradicionais e expressou o desejo de integrá-los em um ambiente único e diferente dos demais espaços de sua casa. O banheiro marroquino era um sonho antigo. A bancada de madeira talhada costumava ser a estrutura da cortina, herança da avó. O piso foi substituído por ladrilho hidráulico e a parede pintada, de modo a compor melhor o cenário árabe.
Cantinho da leitura – Aqui temos uma chaise longue, desenhada em 1929, por Le Corbusier (1887-1965) – francês de origem suíça, considerado um dos mais importantes arquitetos do século XX. O desenho da cadeira, a exemplo do que acontece com as obras raras antigas, é de domínio público.
No caso, trata-se de uma releitura da loja Floresta Casa. (A Forma deteve os direitos exclusivos das cópias de Le Corbusier vindas da Europa até 1980 e hoje trabalha com os desenhos da Escola Bauhaus). A Brentwood tem modelos clássicos da década de 50. A luminária Bob Art foi adquirida na Dominici, loja que completa este ano, 50 de existência. Já as máscaras pertencem à coleção particular de um jovem casal que tem o hábito de viajar pelo mundo.
Fonte: Revista Vila São Paulo, ed 1, junho/julho, 2007.
Por Julia Leme Prioli
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