Shopping BBel

Feeds

  • Conheça a BBel
  • Rádio BBel
  • Galeria de fotos
  • Cadastre-se
  • Colunista
  • TV BBel
  • BBel Blog
  • Twitter

Voltar

Artigos

Projetando com os sentidos

Projetando com os sentidos

Projetando com os sentidos é um tema bastante complexo. O tema tem relação com parte da minha história, minhas buscas, descobertas e questionamentos. Esse devaneio nem sempre é fácil e sempre pouco prático para uma vida corrida na qual precisamos ser rápidos para não sermos atropelados. É quase uma questão de sobrevivência. Discorrer sobre esse tema não é assim tão simples.

Quando fui estudar arquitetura na Itália não sabia exatamente pelo o quê procurava; mas sabia que procurava algo e precisava encontrá-lo com urgência! Estava cansada de projetar sentindo-me sempre um pouco “fora”, acreditando em idéias que não sabia virem de onde? Como defendê-las? Numa sociedade onde ter é mais importante que ser é difícil aceitar o caminho a seguir. Procurava ao mesmo tempo por uma arquitetura absoluta, algo que agradasse a todos. Não era muito boa em receber crítica, portanto queria diminuir isso ao máximo! Agradar a todos era agradar a mim mesma. Que erro!

Enfim; tentando atender o problema “todos” resolvi pesquisar algo inerente ao ser humano, algo na raiz do homem, que pertencesse a cada um de nós, e a todos nós: os sentidos. O sentir e o ser, no meu ponto de vista, andam juntos, um de cavalinho no outro. Uma arquitetura mais atenta aos sentidos poderá sempre criar lugares mais emocionantes, sejam feios ou bonitos, isso importa pouco, porém, sempre com alma.

Comecei minha pesquisa no ponto-base dos cinco sentidos: visão, audição, olfato, tato e paladar. O homem percebe as sensações dos cinco sentidos conjuntamente e de uma só vez.


A partir desse princípio selecionei cinco temas dentro da arquitetura de interiores que considero básicos para a percepção do espaço:

- luz e sombra

- textura e materiais

- dimensão (altura e largura)

- cores

- presença do verde.

Fui atrás de cada um desses temas, li livros, artigos, perguntei aos professores, e a única palavra que encontrei, que pudesse concluir toda minha busca de forma absoluta numa receita perfeita, foi “depende”. Foi uma surpresa e, também, minha redenção; não havia arquitetura absoluta! Era impossível agradar a todos! Ufa...!  Uma lição de vida!

Os sentidos são sim inerentes ao ser humano, mas a leitura deles é que não é. Podemos até decodificar as sensações da mesma forma, principalmente quando vivemos num mesmo país, ou numa mesma sociedade, ou numa mesma classe social, ou tudo isso junto. Quanto mais parecida for a história de um grupo, mais conseguimos generalizar alguns conceitos, nomes e sensações, mas a verdade é que cada um é um, e cada elemento tem como referência de leitura uma história diferente. O meu livro de cores começava assim “o azul gera no homem que vive no Brasil, um país tropical; sensação completamente distinta da do homem que vive na Alemanha, habituado ao frio...” Li aquilo embasbacada! Era tão óbvio assim? Por fim, resolvi me satisfazer de forma absoluta com a resposta que encontrei, mas também encontrei de maneira parcial “verdades generalizadas” que são chamadas de “universais”. Elas servem para nos dar o norte, funcionam como guia e nunca devem ser usadas de forma absoluta.

Para projetar com os sentidos, o mais importante é entender para quem o projeto está sendo feito. Quem é o cliente (ou público alvo), sua história, suas verdades, suas vontades. Como ele percebe o mundo, como lê as cores, a luz! Qual a intenção e a sensação que se pretende causar em cada espaço. O espaço serve para servir o homem, para satisfazer suas vontades, para atender suas exigências, suprir suas necessidades, acolhê-lo e protegê-lo, de forma objetiva e subjetiva. Há uma busca pelo espírito, pelas emoções e sentimentos que podem ser compreendidos através do espaço físico. O espaço interior é uma fotografia do avesso do homem e a percepção deste ajuda a atingirmos uma melhor compreensão de si mesmo.

Diante da pergunta da cliente fechei os olhos para poder responder qual piso achava melhor para sua sala, e, então, ela perguntou: “por que você fecha os olhos?” e eu respondi: “porque de olhos fechados eu vejo o que eu sinto e sinto o que eu vejo”.

Conheça um jardim de possibilidades que descreve sobre a beleza das flores.

"Uma das melhores coisas na vida são as maravilhosas surpresas que nos reserva". (Marlo Thomas)

Este texto não pode ser copiado ou reproduzido em nenhum outro site sem autorização do autor!

Envie esse conteúdo por e-mail:

Preencha o formulário abaixo e deixe seu comentário.




Seu e-mail foi enviado com sucesso!

Palavras-chaves relacionadas com este texto:

Colunistas

Comentários

Existe(m) 11 comentário(s) para esta notícia.

# 1° antonio dal fabbro

Artigo lúcido, inteligente e escrito com rara competência profissional, embora em estilo leve e compreensível. Articulista, sem dúvida, promete.
Com certeza, saiu-se à mãe.

# 2° Tânia Vannucci Vaz Guimarães

Como cliente da arquiteta Ana Flávia posso dizer que se o artigo é bom, o seu trabalho é melhor ainda. Como poucos ela consegue entender o gosto e o bolso do cliente e traduzí-los em arquitetura! Parabéns!!

# 3° marianne tone silveira correa

Consigo ver a propria falando ao ler este artigo. "Sentidos" tem tudo a ver com a Ana. Acho que eh por ai mesmo que ela e seus clientes poderao extrair e explorar ao maximo seus espacos e descobertas.

# 4° Dulce Chaves

Me identifiquei mto com essa forma de pensamento,e confesso q fiquei esbabacada tb sobre a estoria do azul.
Como sua colega me interessei pelo livro de cores, será que vc poderia me enviar o nome.
Grata e parabéns pelo seu trabalho.

# 5° Paulo Augusto

Que belo artigo! Gostei bastante desse lance da leitura dos sentidos. Parabéns.
Só recomendaria eles colocarem datas nos artigos.

# 6° HELENA CABRAL

Muito bom, como leiga consegui sentir que ainda existem pessoas preocupadas em traduzir o ser e o sentir de cada de um de nós, isso é muito bom. Como escreve a Ána Flávia em seu artigo, vivemos num mundo onde viver em sociedade nos nossos dias é mais importante TER do que SER.
Muito obrigada por esta leitura.

# 7° Sonia Garcia

Maravilhoso seu artigo, parabens.
Seu livro de cores,onde posso encontra-lo?
Obrigada.

# 8° karen dos anjos

amei estou estudando arquitetura de interiores e é tudo que mas me importa no momento pra mim uma escolha unica, amo o que faço adorei seu depoimento parabens!

# 9° Eliel

seu site seria mais interessante se não tivesse a atualização feita a cada 10 segundos. Fica impossível visualizar um site assim.
Obrigado

# 10° Marcos

gostei de ter encontrado seu site,está bastante globalizado.

Deixe seu Comentário:


  • *

  • *


  • *

  • Enviar Comentário