A cultura brasileira sempre me encantou; especificamente a nossa, paulista, que por ser pouco conhecida, é menosprezada.
Um arremedo dessa cultura é lembrado na festa junina, quando nos vestimos de “caipira”. Será que os caipiras se vestem daquele jeito mesmo? Essa discussão do que é ser caipira, dá muito pano pra manga; seria uma palavra de sentido pejorativo?
São questões que sempre fiz, ao mesmo tempo que busquei o verdadeiro significado de nossas festas mais populares.
Bem, o fato é que, se deixarmos de lado o que a mídia nos impõem como sendo caipira, sertanejo; o nome que queiram dar, e buscarmos o genuíno; ele está lá! Em toda sua singularidade, simplicidade e timidez. Não é cultura que se mostre, como o Carnaval carioca, o Axé baiano, e outras manifestações que, até por suas características, são explícitas, exibidas. E não há nada de errado nisso. É que, por causa da exploração delas pela mídia, acabamos sendo massacrados pela superexposição de suas músicas: Como é que pode? Até na festa junina da escola dos meus filhos, tivemos de escutar a onipresente Ivete Sangalo?
Não tem alguma coisa errada? É por essas e outras, que acho importantíssimo descortinar essa paisagem singela, de uma beleza sutil que está intimamente ligada à natureza. O caipira já era ecologicamente correto muito antes dessa moda (muito benvinda, aliás).
É só prestar atenção aos temas das suas canções; que envolvem a terra querida, os rios, peixes, as aves; a beleza do entardecer, e por aí vai. É um olhar contemplativo e de admiração. De alguém que sabe muito bem seu lugar na natureza.
O que pensei em fazer quando elaborei minha carta de vontades, foi aproximar esse universo a quem tiver vontade de parar para ouvir, para conhecer, e como eu, se encantar com esse belíssimo universo escondido!

Uma aula-show sobre a Festa do Divino de São Luiz do Paraitinga: é esse o convite que faço a você, interessado em cultura brasileira, mais especificamente em cultura caipira, e mais especificamente ainda, na tradição religiosa portuguesa que herdamos de nossos colonizadores, misturada e temperada com as culturas indígena e negra.
O Vale do Paraíba, em São Paulo, é pródigo nessa mistura. Nosso querido Antônio Cândido, com Os parceiros do rio Bonito, abriu portas importantes para a compreensão do universo caipira. É emblemático, portanto, que sua filha Marina Mello e Souza (cuja tese de doutorado é específica sobre a Festa do Divino), seja também a orientadora de quem vai ministrar nossa aula, o jovem luizense João Rafael Cursino.
Além de falar sobre a cultura da Festa do Divino, João vai contar causos que viraram história na cidade, e também mostrar personagens-símbolo da Festa luizense, como D.Didi e o mestre Dorvo. Mais que isso: sua palestra terá a ilustre presença de Galvão Frade, grande compositor luizense, que virá acompanhado do irmão violeiro/percussionista Álvaro Frade, o Nhô.
Esses músicos vão tocar trechos característicos de Folia do Divino, bem como cantar versos de congadas e moçambiques facilmente assimiláveis, belíssimos, que todos podem aprender.

"A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida..."
(Oscar Wilde)
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