A culinária indiana é mais do que uma arte. Considerada um método de elevação espiritual e devoção. Na Índia o ato de cozinhar é quase que um ritual. Antes do preparo de qualquer alimento é feita uma oração e antes de se iniciar uma refeição oferece-se o alimento em comunhão ao supremo.
Em praticamente todas as residências indianas têm um altar onde são feitas oferendas aos Deuses. Uma curiosidade da Índia é o costume de comer com as mãos, mas apenas com a mão direita. Segundo a milenar medicina Ayurvédica, a digestão dos alimentos não começa na boca em contato com as enzimas presentes na saliva, conforme aprendemos no ocidente, mas sim quando entra em contato com as pontas dos dedos. É aí que a energia sutil presente nos alimentos é “absorvida”, isto é, entra em harmonia com nossas energias e dá início a todo um processo de ressonância e absorção.
Existe uma maneira certa e elegante de apreender o alimento com as pontas dos dedos, formando “mudras”, gestos simbólicos de significados místicos, muito utilizados nas filosofias budistas e hinduístas.

Na cultura Indiana as especiarias são essenciais em qualquer receita. Existem mais de 25 tipos diferentes de especiarias. Textos datados de três mil anos atrás reconhecem seus valores terapêuticos, prevenindo e curando doenças e catalogando suas propriedades medicinais que suavizam, esfriam ou aquecem o organismo. Dependendo do tipo de tratamento, elas requerem diferentes técnicas de manipulação: tostadas, cruas e inteiras, socadas ou moídas. O tratado de medicina indiana ayurvédica recomenda, por exemplo, a pimenta do reino como ingrediente dos medicamentos que curam problemas digestivos, e a cúrcuma é considerada um potente anti-séptico que combate infecções.
A culinária Indiana é rica e variada e difere de acordo com a região. Algumas regiões são vegetarianas, outras comem peixe, frango e alguns tipos de carne, como o cordeiro. O popular Tandoori (frango, carne ou peixe temperados com ervas aromáticas e assados em forno de barro) e os Kebabs são especialidades do norte. No sul, você não pode deixar de experimentar o “chutney” de coco, nem o “sambar” com “idli” ou o “masala dosa” (feitos com arroz fermentado e lentilhas). Há também pratos como o “vadasambar”, o “baiji”, o “raitas” (iogurte com pepinos e ingredientes importantes da cozinha do sul da Índia). Na costa oeste, há uma grande variedade de peixes e mariscos. Em Mumbai as especialidades são o peixe conhecido como Bombloe (frito ou com curry) e o “pomfret” (salmão indiano) são algumas das muitas especialidades da região.

O peixe e frutos do mar também são importantes na cozinha indiana, um exemplo é o Dahu Mach (peixe ao curry com iogurte, com sabor de cúrcuma e gengibre) e o Mailai (lagostins ao curry com coco). No sul da Índia a base da alimentação é o arroz. No norte são as tortas como os Puris, os Chapatis e o Nan. Também é comum o iogurte acompanhado de curry ou uma variedade de “Lassi”, açucarado ou com “masala”.
Os doces são feitos com leites, torytas e crepes. O Kulfi (um sorvete típico indiano) pode ser saboreado em toda a Índia. Rasgullas (bolas de creme de queijo com sabor de água de rosas), Gullan Jamuns (farinha de leite com xarope doce) e Jalebi (lentilhas fritas banhadas em caramelo). Também há uma grande variedade de frutas tropicais e da zona temperada.
Fonte consultada: www.indiaconsulate.org.br
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"Gastronomia é comer olhando pro céu".
(Millôr Fernandes)
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