Falar em vinhos há 30 anos seria bastante diferente dos dias atuais. No passado em muitos casos alguns produtores compravam “mosto” de variedades de uvas mais robustas (cor/taninos) e misturavam para produzir vinhos mais potentes (chiantis, Bordeaux...) pela tradição de reforçar o caráter dos vinhos de determinadas regiões.
Os vinhos europeus em todos os níveis de qualidade recebiam seu nome de acordo com a área de produção, ou seja, regiões demarcadas tais como: Bordeaux (França), Rioja (Espanha), Chianti (Itália), sendo em seguida mencionado o nome do produtor. Você poderá constatar essas informações vendo o rótulo de uma garrafa de vinho.
Na Alsácia (leste da França) contrariando os costumes daquele país, utilizavam a variedade da uva para identificar o produto.
Os italianos da região da toscana também usavam o nome de sua uva principal, a cepa Brunelo, responsável pelo Brunello di Montalcino.
Era esse, de maneira geral, o grau de exposição das variedades de uva na Europa, até a chegada dos anos 80.
O velho mundo (Europa) com sua tradição continuam imprimindo em seus rótulos seu nome e após, o nome da região de origem do vinho.
O chamado “novo mundo” (U.S.A., Nova Zelândia, Austrália, Brasil, Chile, Argentina, Uruguai, África do Sul...) não tendo tradição como regiões vitivinícolas, passou como estratégia dar grande valor às variedades de uvas, quase a ponto de tornarem-se marcas como a “Chardonnay”. Ocorre neste momento uma revolução nas tradições vinícolas.
A Califórnia (U.S.A.), quando iniciou a produção de vinhos, utilizando variedades de uvas francesas, começou a imprimir em seus rótulos o nome das cepas (Cabernet Sauvignon, Chardonnay, etc.), o marketing deu certo sendo seguido por muitos outros países do considerado “novo mundo”.
Os vinhos passaram a receber em seus rótulos a principal variedade utilizada, surge então o termo “vinho Varietal”.
Seguindo a linha das transformações ocorridas nas últimas décadas, a revolução tecnológica alterou diversos aspectos da produção, tendo como principal alvo o paladar do vinho. O conceito de “vinho tecnológico” é a principal característica dos países, do “novo mundo”, pois investem na vinificação através de pesquisas, descobrem o melhor tipo de variedade para o solo escolhido, produzem com total acompanhamento de instrumentos de última geração para vencer problemas que possam ocorrer durante a safra, conseqüentemente alteram os conceitos tradicionais.
Hoje, encontramos vinhos já prontos a serem bebidos sem precisarmos guardá-los por um longo período, no paladar são mais frutados com leve sabor de carvalho com taninos mais sedosos.
Os vinhos tintos principalmente são feitos para consumo mais precoce, pois, os hábitos do consumidor hoje estabelecem compras semanais de vinhos como já fazemos com os alimentos. Ainda há vinhos que necessitam de um envelhecimento lento na garrafa, porém antigamente um grande Barolo estaria pronto para ser degustado depois de 20 ou 30 anos de guarda, esse seria seu ponto ideal de consumo.
O mercado está mais competitivo, optou-se por técnicas de produção que visam a redução de custos permitindo que cada vez mais consumidores provem vinhos.
Podemos citar como exemplo de redução de custo no uso do carvalho, atualmente uma barrica de carvalho (225 litros) onde o vinho deve estagiar por um certo período para depois ser consumido, pode custar de US$ 600,00 à US$ 900,00, como alternativa a legislação de produção de muitos países hoje permite que se utilize “lascas de carvalho”, introduzidas em grandes tonéis de inox, oferecendo ao vinho ali produzido as características dos sabores que serão desprendidos do carvalho. Desde que foi permitido o uso desta forma, sobretudo nos vinhos australianos, hoje você encontrará vinhos de custos baixos que recebem um toque de carvalho, até então exclusivo dos mais caros.
Outro item que foi introduzido por produtores do “novo mundo” é o uso da rolha sintética, muito mais barata e mais eficiente que uma rolha de cortiça de má qualidade.
Não sabemos ainda quais as diferenças que todas essas mudanças produzirão no vinho sendo ele nosso principal personagem, porém, uma certeza todos temos; o vinho torna-se cada vez mais popular e os vitivinicultores estão se esforçando muito para atender esse mercado que busca informação e qualidade.

“A amizade é uma benevolência recíproca entre dois seres igualmente entusiastas uma pela felicidade do outro".
(Platão)
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