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Champagne: bebendo estrelas

Champagne: bebendo estrelas

Surgiu na França há alguns séculos, na região de Champagne, o Vinho Champanhe Espumante. Eu digo surgiu porque, de fato, ninguém o inventou, ele simplesmente nasceu.     O vinho Champagne (que nada mais é do que um espumante), desde o seu surgimento foi considerado por muitos a bebida dos deuses, e a mais sofisticada de todas, devido a suas qualidades naturais que são facilmente perceptíveis no paladar.

Hoje é cada vez mais apreciado e admirado pelo mundo todo.
Como explicar o fato do Champagne, uma das bebidas mais caras do mundo, ser cada vez mais consumida?

O fato que explica o crescimento cada vez maior no consumo e produção do Champagne, na minha opinião não é nenhum milagre, uma vez que você conhece e experimenta um bom exemplar do Champagne, nunca mais irá querer beber qualquer outra bebida espumante em sua vida. Salvo por um pequeno detalhe: o Champanhe é caro, comparando-o a outros tipos de espumantes, devido ao método de vinificação ser artesanal e muito mais demorada que o de outros espumantes feitos pelo método Charmat (onde a segunda fermentação é dentro de tanques de inox e não em garrafas individuais).     Além disso, outra explicação é que a região de Champagne possui clima e solo ideais para a perfeição dessa bebida.

Um pouco da história do Champagne

Tudo começou no século XVII, quando o vinho de Champagne era apenas um vinho simples, e nada mais. Para entender melhor, todos os vinhos não espumantes de Champagne não passavam de normais.

O clima e o solo não ajudavam em nada, essa região da França tem um clima horrível, um solo ruim e uma agricultura limitada, o que não colabora para a maturação perfeita das uvas para produção de vinhos não espumantes. Pelo contrário, esses vinhos se tornavam muito ácidos e eram apreciados, quero dizer, “consumidos” localmente. O que não sabiam, é que esses fatores eram os pontos altos para a produção do Champagne.

O vinho não espumante para ser fermentado (transformação de açúcar em álcool) necessita de temperaturas um pouco elevadas. Como dificilmente isso acontece naturalmente na região de Champagne, os Champenois (pessoas que nascem na região de Champagne), convencidos de que o vinho estava pronto, embora fosse muito ruim, o engarrafava e o levava para descansar nas caves (adegas) subterrâneas, com a esperança, quem sabe, de o vinho um dia melhorar. A fermentação reiniciava-se naturalmente no início da primavera, com os vinhos na garrafa. As temperaturas mais quentes “despertavam” as leveduras, que, então, atacavam os açúcares que restavam. Daí surgira os Homens das Máscaras de Ferro e um mito.     

Os Champenois acreditavam que aquelas garrafas guardavam um segredo, na verdade mais do que um segredo, elas guardavam demônios. Esses homens com Máscaras de Ferro se arriscavam ao entrar nas caves, porque a qualquer momento as garrafas poderiam estourar. Na verdade, não eram demônios. O vinho apresentava uma efervescência, formava-se o gás carbônico, que, preso nas garrafas, aumentava a pressão interna, e uma média de 90% das garrafas não resistiam. As garrafas da época, produzidas para vinhos não espumantes, eram muito finas, não aguentavam a pressão interna e estouravam.

Muitas pessoas, como o Monge Dom Perignon, que muitos dizem ser o pai do Champagne espumante, tentava lutar contra as borbulhas desse vinho, que eram consideradas defeito na bebida. Não obtendo sucesso, este monge decidiu controlar esse processo trazendo da Inglaterra garrafas mais grossas e resistentes e substituindo as tampas de pano então utilizadas por rolhas de cortiça. A partir daí foi resolvido o problema, e ninguém mais precisou usar as tais máscaras de ferro, desde então, o Champagne espumante se desenvolveu bastante até ser hoje o que é. Dom Perignon também foi responsável por obter vinhos brancos a partir de uvas tintas, vinificadas sem casca, também utilizou uvas de diferentes locais e realizou uma mistura de vinhos de safras diferentes, para tentar padronizar os vinhos e ressaltar as suas qualidades e aperfeiçoou o método Champenoise (segunda fermentação dentro da garrafa).

Em resumo e de forma bem simples, a vinificação do Champagne espumante ocorre com uma segunda fermentação dentro da garrafa, chamada Champenoise ou Tradicional, onde geram mais álcool e as tão aclamadas borbulhas. Esse espumante Chamado Champagne só pode receber esse nome em sua região de origem e obtido a partir desse método de vinificação. Segundo a lenda, Dom Perignon, após ter tido um porre de Champagne espumante, proferiu as seguintes palavras: “Estou bebendo estrelas”. Por essas e outras, o Champagne espumante é considerado por muitos, e eu tenho a mais absoluta certeza disso: é a bebida dos deuses.

"A vida não é uma taça a ser esvaziada, mas uma medida a ser enchida."
(Provérbio Americano)

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