A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) mudou drasticamente as condições sociais do mundo, alterou a estrutura da sociedade e vitimou milhões de pessoas no transcorrer das últimas duas décadas.
O HIV destrói os linfócitos - células responsáveis pela defesa do nosso organismo - tornando a pessoa vulnerável a outras infecções e doenças oportunistas, chamadas assim por surgirem nos momentos em que o sistema imunológico do indivíduo está enfraquecido.
Há alguns anos, receber o diagnóstico de AIDS era quase uma sentença de morte. Atualmente, porém, a AIDS já pode ser considerada uma doença crônica. Isto significa que uma pessoa infectada pelo HIV pode viver com o vírus, por um longo período, sem apresentar nenhum sintoma ou sinal. Isso hoje é possível graças aos avanços tecnológicos e às pesquisas, que propiciam o desenvolvimento de medicamentos cada vez mais eficazes, tais como a terapia anti-retroviral. Deve-se, também, à experiência obtida ao longo dos anos por profissionais de saúde.
Todos estes fatores possibilitam aos portadores do vírus ter uma sobrevida cada vez maior e de melhor qualidade.
A esmagadora maioria dos casos ocorre na África, onde a principal forma de transmissão é o sexo heterossexual, e o uso de prostitutas. Regiões em risco com alto crescimento de novas infecções são a o leste da Europa , a Índia e o Sudeste Asiático. No Brasil vivem mais que 650 mil pessoas de idade entre 15 e 49 anos com o HIV (estimativa da Organização Mundial da Saúde).
Apesar dos avanços recentes no tratamento da AIDS, a doença impõe ao indivíduo alterações metabólicas caracterizadas pela lipodistrofia. O termo lipodistrofia refere-se à perda de gordura subcutânea nos braços, nas pernas e na face, juntamente com um aumento na gordura abdominal. Juntamente com essas modificações, é comum observar também uma maior deposição de gordura dorsocervical (atrás do pescoço) e aumento das mamas em mulheres. Pesquisas científicas mostraram ainda que a lipodistrofia está associada a aumento da glicemia no sangue, baixa concentração de HDL (colesterol bom) e à obesidade central. Além dos problemas estéticos, sociais e de auto-estima.
Um número cada vez maior de profissionais da área da saúde vem recomendando intervenções com exercício para amenizar as conseqüências metabólicas da doenças e melhorar a auto-estima. O exercício prescrito para os indivíduos infectados pelo HIV pode ser aeróbio, com pesos ou combinação de ambos. O objetivo consiste em aprimorar a função dos sistemas cardiopulmonar e musculoesquelético e melhorar a saúde global e a qualidade de vida. Entretanto, ao trabalhar com pacientes infectados pelo HIV, o profissional deve ter em mente que o programa de exercício não deve induzir (por ex. exercício exaustivo) imunosupressão nos indivíduos que já se apresentam imunocomprometidos.
Leia também: Benefícios e adaptações do exercício aeróbios.
"A prática esportiva também ajuda num mundo melhor com tudo de bom que traz para nós: saúde, auto-estima, espírito de equipe, objetivos, entre outros atributos que com certeza, vem junto com o esporte". (Gustavo Borges)
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