A questão da gravidez na adolescência é muito mais comum do que parece ser, a reação inicial e geral é que este problema só acontece na casa dos outros, na nossa nunca! Na realidade não é bem assim...
O comportamento sexual dos adolescentes vem se transformando e a precocidade da iniciação de uma vida sexual ativa, entre as mulheres, é uma realidade.
Em 1984 a idade média de iniciação sexual entre os adolescentes era de 16 anos entre as mulheres e 14 anos entre os adolescentes do sexo masculino, equivalendo a 35,2% (Ministério da Saúde, pesquisa sobre o comportamento sexual da População Brasileira, 2000)
Em 1998 era de 15 anos entre as mulheres, sendo que o percentual de adolescentes que tiveram sua primeira relação sexual antes dos 14 anos equivale a 32,3%. Em 1984 equivalia a 13,6%%!!!. E 14 anos entre os adolescentes homens, equivalendo a 46,7%.
Se não nos ativermos com atenção aos dados, podemos concluir que as garotas continuam iniciando sua vida sexual mais tarde que os rapazes, mas proporcionalmente o índice entre as adolescentes mulheres de 14 anos quase triplicou.
Na pré adolescência surge o "ficar" que marca o início da vida afetiva amorosa, trazendo a possibilidade de experimentações e descobertas, é um tipo de relacionamento íntimo, mas sem compromisso de fidelidade entre os parceiros. Por exemplo: na balada, na festa ou na ida ao cinema, os adolescentes sentem-se atraídos e resolvem “ficar juntos”, durante aquele evento ou por algum período somente. O “ficar” compreende: beijos, abraços, carícias e até uma relação sexual completa, desde que seja o desejo dos dois. Esse “relacionamento” é totalmente sem compromisso, sendo provável que se encontrem em outras oportunidades e não “fiquem” juntos. Mas às vezes os adolescentes continuam “ficando” e então o “ficar” se transforma em namoro, onde a fidelidade é um requisito importante.
Com o advento do “ficar”, as relações mais abertas e a desvalorização da virgindade, muitas coisas mudaram, mas as motivações femininas em relação à primeira experiência sexual parecem que continuam as mesmas, associando a primeira relação sexual a um laço afetivo amoroso, com um “certo compromisso” – um namorado ou alguém com quem se está “ficando”. Em contrapartida, entre os rapazes, as motivações são: o desempenho sexual que é visto como ganho e poder da masculinidade, somado ao aspecto cultural de que “os homens não resistem ao impulso sexual”.
Aqui está a armadilha, pois há uma segunda constatação: que as garotas tendem a não usar preservativos em relações sexuais com parceiros onde haja vínculo afetivo, e somam-se a esta tendência três outros ingredientes: a falta de prontidão para ter atitudes assertivas de auto proteção, a imaturidade para conseguir se impor no sentido de exigir o uso do preservativo, e a natural falta de autonomia para colocar em prática métodos contraceptivos.
As informações estão disponíveis a todos, mas o que se constata é que isto não tem garantido maior proteção aos adolescentes.
Agora que estamos cientes dos componentes da iniciação sexual da adolescente feminina, vamos para o segundo momento - a vida sexual ativa: a adolescente se libera para viver novas experiências e, as pesquisas apontam que 28,6% das adolescentes de 16 anos de idade, declaram ter a média de quatro parceiros diferentes, por ano, em situação de sexo eventual. Por ser uma situação não programada, ocorre na maior parte das vezes sem preservativos e sem usar contraceptivos.
Informações super atualizadas são dadas no artigo de Maria Rehder, “Jovem inicia vida sexual antes dos 15 e tem mais parceiros”, publicado no Jornal da Tarde de 03/09/08, em que são apresentados os dados colhidos em uma pesquisa realizada no primeiro semestre do ano de 2008, com alunos de 270 escolas particulares brasileiras, e percebe-se claramente que “usar a pílula do dia seguinte ou ter relação sexual com diferentes parceiros ao longo da adolescência são atitudes que fazem parte do cotidiano do jovem brasileiro de classe média com idade entre 13 e 16 anos”.
Nesse universo de 1.383 jovens concluiu-se que:
• 22,1% já tomaram a pílula do dia seguinte para prevenir a gravidez;
• 19% responderam que tiveram relação sexual com pelo menos cinco parceiros;
• 14% fizeram sexo com alguém que conheceram pela internet;
• 25% tiveram a primeira relação sexual aos 14 anos.
A adolescência é um período de vida marcado pelas mudanças e transformações físicas e emocionais, que geram insegurança, prejuízo à auto-estima, conflitos familiares e a busca pela conquista de uma nova posição na família, no seu grupo e na sociedade.
É o período do início da vida reprodutiva da mulher com seus componentes físicos e psicológicos também, que nos dias de hoje se manifestam simultaneamente com o início da vida sexual ativa, por volta dos 14 ou15 anos. A adolescente precisa se haver com todas essas questões, e muitas vezes isso não é fácil.
Objetivamente há a complicação por não assumirem a vida sexual ativa para seus pais, e por conseqüência a visita ao Ginecologista, a compra do anticoncepcional e até a sua posse transforma-se em uma operação difícil e algumas vezes impossível de ser executada.
Subjetivamente justificam a falta ou má utilização de métodos contraceptivos ao fato de ser “sexo eventual” e que “por não estarem namorando não há necessidade de tomar anticoncepcionais”. Por conseguinte utilizam um mecanismo de negação, não admitindo a possibilidade da gravidez, vivendo o prazer do momento, totalmente inconscientes do prejuízo que pode sofrer o seu projeto de vida.
A adolescente está iniciando a sua jornada para se tornar mulher, portanto não é possível queimar etapas impunemente e se tornar mãe.
Os filhos de mães adolescentes tendem a sofrer negligência materna, justamente por elas não estarem maduras psiquicamente para assumir tal função, são internados mais vezes e sofrem mais acidentes que filhos de mães adultas. Apresentam um risco aumentado para ter atraso no desenvolvimento, dificuldades escolares e desordens de comportamento. E repetindo a história dos pais tendem a se tornar pais prematuramente.
E os garotos como ficam nesta história de gravidez na adolescência? Eles também estão iniciando a sua fase de adaptação e preparação para a vida adulta, participaram da concepção fisicamente, mas as conseqüências são muito diferentes das impostas às garotas.
Via de regra, os adolescentes que somente “ficam”, raramente se sentem responsáveis pela gravidez, muitas vezes usam o “ficar” para levantar a possibilidade de outra paternidade, se eximindo de comprometer-se com as obrigatoriedades do período da gestação.
Muitas vezes, os rapazes percebem a gravidez como uma realidade mediante a transformação no corpo do outro – da garota. O Pré-Natal e o Parto acontecem independente de sua participação ou não, e conseqüências como a perda do ano escolar, e o adiamento de planos e sonhos também não o atingem. O índice de 6,3% de meninas entre 13 e 16 anos enfrentaram uma gravidez real, 35% foram interrompidas por perdas naturais ou provocadas e, quase metade das gestações foi levada a termo e os bebes vivem hoje com as próprias adolescentes ou com outras pessoas.
Portanto, precisamos estar próximos e preparar nossas meninas para o inicio de vida sexual, agindo preventivamente desde o período da pré adolescência. É fundamental o envolvimento e o comprometimento da família, informando e conscientizando sobre as conseqüências e responsabilidades.
"O louco corre atras dos prazeres da vida; o prudente limita-se a evitar os males".
(Arthur Schopenhauer)
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