O quarto do mais novo membro da família segue uma linha evolutiva, como o próprio desenvolvimento da criança. Ao nascer, o bebê precisa de tranqüilidade e aconchego. Já que nenhum lugar no mundo pode substituir o útero materno, deixar o ambiente o mais próximo possível dessa referência é a melhor recepção que se pode dar ao pequenino. As verdadeiras boas vindas começam com cores suaves, mobiliário funcional e conforto extremo. Lembramos que os bichinhos de pelúcia são lindos, mas acumulam muito pó.
A disposição do mobiliário no espaço físico, nessa fase, que alguns chamam de “gravidez extra-uterina” é fundamental. Não existe “hora certa” para atender aos chamados do recém-nascido. Ele costuma ter fome a qualquer hora, e essa hora pode ser bem no meio do madrugada. A mamãe não pode correr o risco de tropeçar em nada e os objetos devem estar dispostos de forma tão natural e racional, que localizá-los não exija esforço mental. Para isso, recomenda-se um projetinho, ainda que feito à mão, de onde, como e porquê, colocar cada móvel em seu lugar. As lojas especializadas organizam os móveis compondo um ambiente que reproduza o quarto do bebê. Sem espaço delimitado, o ambiente parece harmônico, mas entre quatro paredes, os mesmos móveis custam a se “encaixar”. Um projeto anterior à compra facilita a escolha e evita excessos.
Ao nascer, o bebê sente-se perdido na amplidão do espaço. O berço é tão grande para ele, que até mesmo o protetor, acoplado estrategicamente ao cercado para impedir que ele se machuque caso se movimente, está além do seu campo de visão. Por isso, pediatras recomendam o “aninhamento”, que consiste exatamente naquilo que, instintivamente, as aves e mamíferos fazem: cercar o bebê com mantas ou travesseiros, para que ele se sinta bem protegido.
Com o passar dos meses o efeito de proteção até sufoca e o bebe quer, justamente, transpor os limites-que ele enxerga muito bem por sinal! O protetor de berço, nesse momento, é fundamental. E o bebê passa a interagir com o meio. Por isso o meio deve ser muito bem planejado, em função do efeito que se quer provocar. Nessa fase, o móbile de cores fortes estimula ao invez de relaxar. O ideal seria a utilização do dois móbiles diferentes: um para o dia e outro para a noite. Os penduricários devem ser retirados facilmente da estrutura. Caso contrário, o estimulo se transforma em frustração.
À medida que o estrado do berço desce e a estatura do bebe sobe, modificações no quarto devem acompanhar o processo. Recomendamos que o espaço seja preservado o máximo possível visando a brincadeira da criança. Materiais adequados em paredes e pisos, que possibilitem manuseio com água, argila, massinha, pintura e desenho são perfeitos. Estas atividades remetem ao mundo de criação e fantasia ajudando o desenvolvimento saudável da criança. Existem materiais que privilegiam estas atividades, que são de fácil limpeza, como pisos laminados, fórmica e vinil e tintas para as paredes desenvolvidas para o universo infantil, como Luksmagnetic da Lukscolor**, que permite a fixação de imãs, fotografias, quebra cabeças e o que a imaginação alcançar. Tintas laváveis também propiciam a criatividade, já que os pequenos podem realizar suas “obras de arte” sem prejudicar a pintura original da casa.
O intuito de deixar o quarto da criança um espaço livre ajuda a preservar os demais espaços da casa. É importante que ela saiba que aquele lugar é dela, mas que os outros ambientes tem regras específicas e limitações. Recomenda-se tirar de circulação tudo o que possa oferecer riscos à vida dos pequenos, como produtos de limpeza, tomadas, objetos cortantes. O restante deve permanecer em seu local, para evitar a síndrome da bela adormecida. (Todas as rocas do reino foram queimadas, a fim de desfazer o sortilejo da bruxa malvada, com exceção de uma. Foi justamente nela que a princesa furou o dedo, por não saber que o objeto lhe era perigoso). Ainda Assim devemos ter cuidado com os enfeites! Nada de argolas e bolinhas, ou qualquer outra sorte de objeto pequeno que possa ser engolido pelas crianças.
Uma forma de deixar o quarto de dormir aconchegante à noite é a utilização de luzes que se encaixam diretamente na tomada. Elas proporcionam a penumbra necessária para uma boa noite de sono, permitindo que a criança enxergue todo o quarto sem dificuldade.



A criação de um lugar especial para guardar e organizar os brinquedos, como um armário, baú, arca ou cesto é muito educativo. Ajuda na arrumação e transforma este momento em uma atividade prazerosa. Tudo em seu lugar inspira diversão. A criação de um mural para que as produções infantis fiquem expostas é uma ação que serve de incentivo e estímulo para novos trabalhos que utilizem grafite, canetinha, aquarela, guache e outros materiais atóxicos. Toalhas plásticas grandes e dobráveis facilitam a limpeza das brincadeiras. Se o espaço da residência permitir, fazer um pequeno depósito, que pode ser uma caixa de papelão, para materiais recicláveis. Novos brinquedos podem ser construídos com este material, utilizando cola e fita crepe.
Móveis infantis podem dar um toque final ao quarto de dormir, ao quarto de brincar ou um único ambiente onde essas atividades se combinem. As mesas e cadeiras devem ter o tamanho apropriado para a estatura da criança. É importante verificar que estas peças não tombem com facilidade evitando futuros machucados. Quando o quarto é destinado exclusivamente à brincadeiras, é fundamental que mesas de estudo ou escrivaninhas, prateleiras de livros e jogos didáticos façam parte do ambiente. Afinal, todo aprendizado é lúdico e toda a brincadeira é um aprendizado!
** Todas estas informações Técnicas foram obtidas junto ao Espaço Lukscolor. Localizado em Moema, SP.
Por Julia Leme Prioli
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