Já saiu das fraldinhas! Assim dizem os pais, muito eufóricos, quando o seu filho já solicita o uso do banheiro. É um motivo de comemoração, por ser entendido como mais um passinho no sentido do crescimento do nenê.
E é verdade!
Esta nova fase de ”bebê sequinho”, que tanto encanta aos pais, ocorre, em sua maioria, em torno dos 2 ou 3 anos de idade, alguns mais cedo, outros um pouco mais tarde, mas sempre por volta desta faixa etária.
Muito cedo pode ser prejudicial
Muitos pais se questionam sobre a forma correta para dar início a este novo ensinamento.
É importante saber a época do inicio; treinamentos muito precoces acabam não sendo benéficos, estressam a criança e os pais; e nem sempre têm um resultado final positivo.
Início do treinamento
O período em que se pode iniciar é, em geral, logo depois que o bebê já sabe correr com certa segurança e autoconfiança. Esta é uma etapa do desenvolvimento neuro-psico-motor em que a coordenação motora já está melhor estabelecida. Pode-se então começar, a partir daí, o treinamento do controle dos esfíncteres de forma mais criteriosa, não só sob o ponto de vista orgânico, mas também emocional - esta é também uma fase em que o bebê já está inserido na Linguagem. A comunicação se faz assim de forma mais adequada.
Primeiro se treina o controle do esfíncter anal, depois o controle do esfíncter urinário. Primeiro durante o dia e depois durante a noite.
Todo o treinamento deve ser feito de forma bem tranqüila, sem pressão e/ou chantagem, para que entre na rotina sem angústia, sem culpa e sem receio.
Deve ser comemorado cada sucesso, mas sem grandes alardes para não dar a conotação de que são os pais os únicos interessados neste sucesso. Lembre-se de que crianças são os melhores leitores das emoções paternas e maternas e sabem lidar com a emoção dos pais muito sagazmente e sabiamente! E daí a inverter a situação é um pulo.
Quando a criança entende, com tranqüilidade, o significado desta nova etapa, ela passa, então, a solicitar ajuda à mãe, ao pai ou à babá e deve ser sempre atendida de forma mais imediata possível, mas sem exageros para evitar parecer uma situação emergencial. Por mais inconveniente que seja o momento da solicitação, evite ao máximo sugerir fazer “nas fraldinhas mesmo, agora pode”. Ela ficará insegura diante desta resposta e acabará por se deixar envolver pelo clima de ambigüidade e desistência, tornando-se muito mais difícil depois resgatar esta etapa.
Quando é necessário um retrocesso
Quando em situações extremas como, por exemplo, uma doença diarréica, fica, por certo, mais complicado administrar toda a situação, em especial se ocorrer em período de treinamento recente. É muito importante, no entanto, que seja explicado que é por causa da doença e que logo, logo, quando sarar, vai poder jogar fora de novo as fraldinhas. E cumprir e estimular o combinado!
Privacidade é necessário
É importante também que ele tenha seu “espacinho” - principalmente no início do treinamento. Valorizar a privacidade faz parte da orientação. Pode ser um piniquinho colocado ao lado da cuba sanitária para que ela possa, junto com o adulto que a acompanha, despejar e dar a descarga.
Lembro de uma criança de 3 anos de idade que não conseguia ir ao banheiro e quando forçado a sentar na cuba sanitária ficava apavorado. Tremia e gritava a um ponto que era necessário sair do banheiro e ser aconchegado para se acalmar. Um dia, ele falou, chorando muito, que tinha medo de ser engolido pela descarga.
As fantasias infantis são inúmeras e é sempre conveniente estar atento a situações de medo e de recusa a novos hábitos. Por trás de muitos “medinhos” se esconde uma fantasia que até para os adultos podem ser assustadores.
Escapulidas podem acontecer, e lá um belo dia, depois de muito acerto, lá se vai um xixi na roupa ou na cama. Não se assuste nem seja muito rigorosa na pontuação do erro. Isto é possível e passível de acontecer nesta fase inicial, em especial num dia de muito cansaço ou de muita agitação. O ideal é ser compreensivo e entender o ato como um fato acidental. Isso o deixará mais tranqüilo para continuar em seu ritmo já estabelecido.
O controle dos esfíncteres é uma das etapas em que todos participam de forma direta ou indireta, desde pais e familiares, até os cuidadores em creches e escolinhas.
Todas as etapas do desenvolvimento de uma criança são sempre gratificantes. Todos ficam felizes com o bom desempenho e a criança também.
Os comentários em volta dela: “não usa mais fraldinhas” a deixa em posição privilegiada e de destaque. Ela sente isso, ela sente o progresso e o seu próprio caminhar em direção ao mundo dos adultos. Sente-se mais independente e se regozija junto com quem a orienta. Cuide então, para que esta etapa seja vencida de forma suave, tranqüila, com o mínimo de preocupação e o máximo de alegria por ter sido bem apreendida.
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"A melhor conversa é aquela em que não há competição na vaidade, mas uma calma troca de sentimentos".(Samuel Johnson)
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