Motivos mais freqüentes
Um dos freqüentes motivos que levam uma pessoa a buscar ajuda médica é a dor torácica. Todos conhecem a possível relação entre dor no peito e doenças cardiológicas. Ou conhecem a história de alguém que teve dor, e faleceu abruptamente. Dessa forma, os pacientes muitas vezes chegam aflitos e ansiosos ao atendimento.
Como em toda a avaliação, inicialmente devemos enxergar quem é a pessoa, considerando idade, sexo, co-morbidades (doenças associadas, como gastrite ou esofagite), uso de tabaco, atividade física e nível de estresse. Freqüentemente nos deparamos com pessoas submetidas a situações de estresss extremo, em que a ansiedade, angústia ou depressão acabam por gerar desconforto torácico.
Ainda há os casos em que o esportista teve um treino mais pesado há algum tempo, e desenvolve inflamação, estiramento ou contratura muscular na região, tratando-se, portanto de situação de natureza ortopédica.
Como a incidência de doenças do aparelho cardiovascular é bastante elevada, e sua morbi-mortalidade idem, torna-se fundamental a exclusão de isquemia miocárdica como desencadeante da queixa. Portanto, toda dor torácica deve ser investigada. Seja por se tratar de situação com risco de vida eminente, seja pelo desconforto físico e emocional que causa.
A obstrução coronariana tem na angina estável sua principal característica clínica, representando a manifestação inicial de 50% dos pacientes.
A abordagem do paciente deve ser feita de acordo com as seguintes etapas:
- Classificar a dor torácica (angina típica, atípica ou não cardíaca);
- Estimar a probabilidade de obstrução coronariana significativa;
- Apresentação clínica da doença arterial coronariana (angina estável ou instável);
- Estimar a graduação da angina (I, II, III ou IV) conforme a Sociedade Canadense de Cardiologia).
Ressaltamos ainda que a dor torácica pode ter outras causas, como descrito na tabela abaixo:
Diagnóstico diferencial da doença arterial coronária em pacientes com dor torácica
| Sistemas |
Etiologias |
| Cardiovascular |
Estenose aórtica, cardiomiopatia hipertrófica, hipertensão arterial sistêmica (pressão alta), espasmo coronário, aneurisma dissecante da aorta, pericardite. |
| Pulmonar |
Embolia, pleurite, pneumonia, pneumotórax. |
| Gastrointestinal |
Esofagite, espasmo de esôfago, gastrite, úlcera péptica, pancreatite, colecistite, hepatopatias. |
| Tórax |
Osteocondrites, herpes zoster, fratura de costela. |
| Psíquicas |
Distúrbios de ansiedade, pânico, hiperventilação. |
Concluindo, como as possibilidades são várias, em caso de dúvida nunca é demais consultar seu médico.
Fonte: Tratado de Cardiologia Socesp 2004 - 2005
Leia também: Hipertensão arterial.sistêmica.

"A felicidade consiste em três pontos: trabalho, paz e saúde". (Abílio Guerra Junqueiro)
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