Gravidez não é doença, porém trata-se de uma situação que acarreta mudanças muito acentuadas na fisiologia feminina.
Alterações hormonais, de coagulação sanguínea, de volume de líquidos circulantes, são exemplos de mudanças que ocorrerão.
Os sintomas
Tais modificações promovem o surgimento de sintomas, que objetivamente consistem em inchaço, falta de ar, palpitação e tonturas. A diferenciação entre o que é normal e o que é sinal de cardiopatia às vezes consiste em tarefa difícil. Na prática, devemos valorizar os sintomas de tosse seca noturna, dispnéia paroxística noturna (acordar a noite com falta de ar, que melhora ao se levantar), surgimento de escarro sanguinolento e síncope (perda de consciência).
A gravidez favorece o aparecimento de sopros funcionais, aumento da intensidade e desdobramento das primeira e segunda bulhas e aparecimento de terceira bulha.
A morte materna é um sensível indicador das condições de vida de uma população, e reflete a inadequada qualidade de assistência de saúde prestada a essa população. A seguir temos uma tabela com as complicações relacionadas a gravidez e pós-parto.
Percentagens dos óbitos maternos por complicações da gravidez, parto e puerpério:
Causa básica de morte
| |
| Eclampsia | 21.2% |
Síndromes hemorrágicas hemorragia pós-parto descolamento prematuro de placenta
| 12.4%
4.9%
4.0%
|
| Infecção puerperal | 7.0% |
Aborto espontâneo provocado
| 4.7%
1.3%
3.4%
|
| Embolia pulmonar pós cesárea | 2.6% |
| Cardiopatia agravada pela gestação | 10.2% |
| Doenças respiratórias | 6.9% |
| Doenças do aparelho digestivo | 1.5% |
| Hipertensão arterial preexistente | 1.2% |
Diabetes
| 1.0% |
Dados do Comitê de Mortalidade Materna – Brasil Ministério da Saúde 2000.
A assistência pré-natal da grávida cardiopata deve obedecer à rotina habitual, cuidando–se para afastar fatores agravantes como anemia, infecção, tireoidopatias e arritmias. Desaconselha-se o uso de estimulantes (ex. café), fumo, descongestionantes, chocolate etc... Recomenda-se a restrição de sal, restrição de atividade física, controle rigoroso do peso (não acima de 10kg), suplementação de ferro, prevenção de surto reumático (com Penicilina Benzatina). Pode–se ainda necessitar de prevenção de endocardite bacteriana.
Em casos específicos, pode-se recomendar a internação.
No pós-parto, iniciar logo caminhadas leves e exercícios passivos no leito são medidas que favorecem a prevenção de trombose venosa e embolia pulmonar.
PRINCIPAIS TIPOS DE CARDIOPATIA NA GRAVIDEZ
- Doença reumática: a mais freqüente no Brasil;
- Cardiopatia congênita: a mais freqüente nos países desenvolvidos, que já erradicaram a doença reumática. As mais comuns são comunicação interatrial, comunicação interventricular, persistência do canal arterial, estenose pulmonar e estenose aórtica;
- Doença de Chagas;
- Arritmia cardíaca;
- Cardiomiopatias;
- Hipertensão arterial pulmonar;
- Doença arterial coronária: o infarto agudo do miocárdio é um evento raro na idade reprodutiva. A incidência estimada é de 1:10.000 durante a gestação , e 1: 30.000 partos;
- Síndrome de Marfan: doença hereditária do tecido conjuntivo, cujo risco principal consiste em degeneração da artéria aorta;
- Arterite de Takayasu.
Planejamento Familiar
O adequado planejamento familiar, orientação obstétrica pré-concepção e acompanhamento criterioso diminuem consideravelmente os riscos, e promovem o êxito da gravidez na maioria dos casos.
Fonte Consultada: Tratado de Cardiologia da SOCESP 2005.
Na gravidez de uma atenção especial a sua alimentação.
"Os filhos são para as mães as âncoras da sua vida".
(Anônimo)
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