A hipertensão arterial (HA) é uma doença crônico-degenerativa de caráter multifatorial, caracterizada por níveis pressóricos elevados, com alteração dos sistemas vasodilatadores e vasoconstrictores que mantém o tônus vasomotor. Esta situação causa redução da luz dos vasos e danos aos órgãos por eles irrigados. Pode–se listar o estresse, a idade, obesidade, diabetes, ingestão abusiva de sal e/ou álcool, causas renovasculares e principalmente genéticas como fatores causais. A causa do aumento da pressão arterial na grande maioria dos pacientes permanece desconhecida, e por isso a patologia é denominada hipertensão arterial essencial.
Atualmente acredita-se que esta síndrome seja poligênica, e que o meio ambiente desempenhe papel importante na manifestação final da mesma. Do ponto de vista hereditário, há muitos genes que podem participar do desenvolvimento da hipertensão. Mutações em pelo menos dez genes, tem mostrado elevar ou abaixar a pressão arterial através de uma via comum, pelo aumento ou diminuição da reabsorção de sal e água por parte do néfron (unidade funcional do rim).

Como previamente dito, trata-se de patologia extremamente comum, podendo muitas vezes não manifestar sintomas. Nesses casos, o diagnóstico é feito em exames médicos de rotina, ou até mesmo inesperadamente, ao se aferir a pressão casualmente, em aparelhos de amigos ou familiares. A medida da pressão deve ser realizada com o paciente na posição sentada, após 5 a 10 minutos de repouso. Em indivíduos muito obesos, usar sempre o manguito de tamanho adequado. Em cada consulta devem ser realizadas no mínimo duas medidas, com intervalo de 1 a 2 minutos entre elas. Em idosos e em diabéticos, onde há maior incidência de hipotensão postural (queda da pressão ao se mudar de posição), deve-se realizar as medidas na posição de pé, além da posição sentada ou deitada.
Quando há queixas, as pessoas freqüentemente referem dor na nuca, sensação de peso ou desconforto no tórax, taquicardia ou ainda, cefaléia. Nos idosos é comum a hipertensão arterial sistólica isolada, com cifras tais como 170 x 80mmHg.
Existe ainda a comentada Hipertensão do Avental Branco, situação que ocorre quando o paciente apresenta níveis aumentados de pressão, via de regra no consultório ou ambiente ambulatorial / hospitalar. Esta é razoavelmente comum, e pode ser detectada com facilidade pelo mapeamento ambulatorial da pressão arterial (MAPA) ou mapeamento residencial da pressão arterial (MRPA).
Apesar dos avanços nos conhecimentos sobre o assunto e do grande arsenal terapêutico existente, sabemos através de pesquisas, que somente aproximadamente 30% dos indivíduos hipertensos atingem as metas de controle da pressão arterial. Tal fato deve-se a dificuldade em aceitar a doença (“minha pressão só sobe quando fico nervoso”), entender que o tratamento é diário e contínuo e aderir ao tratamento, tomando-se a medicação de forma correta e cuidar da dieta, evitando o consumo de alimentos industrializados e ricos em sódio e grandes quantidades de álcool (acima de 30g ao dia) que contribuem para a manutenção de níveis pressóricos acima dos padrões da normalidade.
Fontes consultadas:
- Revista da Sociedade Brasileira de Hipertensão.
- Tratado de Cardiologia da Socesp – 2005.
Leia também: Porque tenho Hipertensão arterial?Parte II.
"O ouvido do homem é o caminho para aprender".
(Aristóteles)
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