Filtro e purificador de água são diferentes?

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Conheça os tipos e os sistemas de filtragem

A variedade de modelos de um mesmo produto no mercado sempre traz dúvida na hora de escolher qual comprar. E com os filtros de água não é diferente. Regulamentados pelo governo federal apenas em 2010, quando os produtores passaram a ser obrigados a seguir normas de qualidade na fabricação, a primeira dúvida que costuma aparecer é a respeito da nomenclatura. Purificadores de água e filtros são diferentes? O site BBEL conversou com Sérgio Valentim, diretor de meio ambiente do Centro de Vigilância Sanitária do Governo do Estado de São Paulo, Carlos Guimarães, gerente de produtos da Electrolux e com Edson Suguino, supervisor de treinamento da Lorenzetti, para esclarecer essa e outras dúvidas.

O que diz a regulamentação

A normatização brasileira não considera filtros e purificadores de água como produtos diferentes, ou seja, para o Inmetro, que testa os equipamentos e atesta a conformidade deles com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas, ABNT, todos são considerados aparelhos para a melhoria da qualidade de água de uso doméstico.

A diferença estabelecida é entre os filtros e purificadores de gravidade e de pressão. "Os mais comuns são os filtros de pressão, que são utilizados sob uma pressão, normalmente vinda da rede pública ou das caixas d´água, e instalados diretamente no ponto de água. Nos filtros de gravidades, a filtragem é realizada naturalmente, sem utilização de qualquer tipo de força ou pressão. Os modelos mais conhecidos são os filtros de barro", comenta Edson Suguino.

Na página a seguir descubra se os filtros podem receber água sem tratamento.

Cuide da rede hidráulica

Os fabricantes explicam que os filtros e purificadores de água para uso doméstico não estão preparados para receber água não tratada previamente, ou seja, de rios e poços sem regulamentação do poder público. "A adição de cloro feita pelas companhias de tratamento de água é fundamental para eliminar a presença de vírus e bactérias. Uma das funções dos filtros e purificadores é eliminar este cloro que, se consumido em excesso, pode provocar danos ao organismo. Os purificadores que podem receber água não tratada devem dispor de um sistema de bloqueio por microfibras ou emissão de raios UV por uma lâmpada especial. Ainda existem produtos que trabalham com ozônio ou sistema de osmose reversa", orienta Edson Suguino.

Água tratada, teoricamente, não precisa ser filtrada

Sérgio Valentim, diretor de meio ambiente do Centro de Vigilância Sanitária do Governo do Estado de São Paulo, argumenta, no entanto, que os moradores de residências que recebem água tratada pelo sistema de abastecimento público, em tese, podem consumir a água das torneiras sem que ela seja filtrada. "Quem produz água precisa fazer o controle de qualidade dos polos de produção com base nos parâmetros da portaria federal, como índice de cloro, de turbidez e controle de pH. São mais de oitenta testes", explica. A mesma orientação serve para quem tem poços perfurados que são cadastrados nos órgãos de vigilância sanitária.

Ele adverte que o principal fator de queda da qualidade da água entre a rede de abastecimento público e os pontos de uso, ou seja, as torneiras das residências, é falta de manutenção do encanamento e da caixa de água das casas. Sérgio menciona que os parâmetros federais estabelecem a quantidade máxima de cloro que a água pode receber, mas quanto mais danificado estiver o encanamento da casa, mais cloro ele vai consumir, diminuindo a eficiência bactericida do tratamento. Saiba como fazer a manutenção do encanamento.

Para o diretor de meio ambiente do Centro de Vigilância Sanitária, os filtros e purificadores de água podem ser eficientes para aqueles consumidores que querem alterar o gosto e odor da água que recebem do abastecimento público. Os fabricantes acrescentam que os aparelhos são capazes de eliminar possíveis contaminações que água tenha sofrido ao passar pelo encanamento da casa. Afirmação da qual Sérgio Valentim discorda.

Veja na próxima página como funcionam os sistemas de filtragem.

Sistemas de filtragem

Sejam chamados de filtros ou purificadores, os aparelhos que se propõem a melhorar a qualidade da água devem ter capacidade para fazer o controle microbiológico, redução do cloro e a retenção de partículas não desejáveis na água. A presença do selo do Inmetro garante que o produto foi testado e indica qual sua capacidade. Por exemplo, se o filtro retém apenas partículas consideradas grandes, com tamanho entre 50 e 80 micrômetros, ou se barra também resíduos pequenos, entre 0,5 e 1 micrômetros.

Essa capacidade é verificada nos testes de desempenho feitos pelo Inmetro, que abrangem ainda quanto percentualmente o filtro é capaz de reduzir o cloro na água. Uma das funções do selo de qualidade é indicar a capacidade dos aparelhos. Alguns modelos disponíveis no mercado trazem a informação de que são capazes de repor sais minerais na água. Essa capacidade, no entanto, não é verificada pelos testes do Inmetro.

Quais os tipos de filtragem

Segundo Carlos Guimarães, os sistemas de filtragem mais comuns são os filtros internos de polipropileno, que retêm a poeira, as partículas e a ferrugem, e os filtros de carvão ativado, que eliminam o cloro, o odor, os materiais orgânicos, os pesticidas e os materiais químicos em geral. "O ideal é a combinação do filtro de polipropileno com o filtro de carvão ativado, pois os dois itens são elementos diferentes e filtram substâncias e microrganismos distintos", destaca.

Edson Suguino afirma que os filtros de pressão costumam usar uma variação do polipropileno para retenção de sujeiras e carvão ativado impregnado com prata coloidal para eliminação do cloro, cheiro, gosto, redução de metais pesados, como o mercúrio e chumbo, além de controle do nível microbiológico. Já nos filtros de gravidade, o mais comum é a utilização de uma vela cerâmica para retenção de partículas e do carvão ativado também para eliminar cloro, odor, gosto e metais.

Na hora de escolher qual filtro ou purificador vai levar para casa, o consumidor precisa ainda estar atento à necessidade de manutenção periódica do aparelho. Quando a capacidade de filtragem indicada é de dois mil litros de água, por exemplo, isso significa que depois disso o refil do filtro precisa ser trocado, o que geralmente pode ser feito pelo próprio consumidor. De acordo com Edson Suguiro, aparelhos com capacidade de dois mil litros precisam de manutenção a cada seis meses. Aqueles capazes de filtrar de quatro a seis mil litros devem ter o refil substituído anualmente.

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