Produtos de limpeza também podem ser ecológicos

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Mercado já tem opção feita com matérias-primas de origem vegetal

Você já deve ter ouvido falar o quanto os produtos de limpeza agridem o meio-ambiente e que em sua composição constam inclusive substâncias derivadas do petróleo. O que pouca gente sabe é que já é possível encontrar no mercado substitutos feitos com componentes biodegradáveis e com ingredientes naturais.

No Brasil, os consumidores podem encontrar ao menos duas linhas deste tipo de produtos de limpeza, uma da Cassiopéia, lançada em 1994 e disponível principalmente em pequenas redes, empórios e lojas de produtos naturais e especializados, e outra da GTEX Brasil, com a marca Amazon, disponível em supermercados em geral.

De acordo com Becky Weltiezen, proprietária da Cassiopéia, todas as matérias-primas usadas na fabricação de seus produtos de limpeza são de origem vegetal, o que garante a eles o título de naturais, além de biodegradáveis. "Um produto pode ser biodegradável e não necessariamente natural, pois a matéria-prima usada pode ser derivada de petróleo. No caso dos produtos BioWash, o fato das matérias-primas serem somente de origem vegetal e mineral faz com sejam biodegradáveis", explica.

A gerente de produtos da Gtex, Michelle Hara Yoshida, menciona que nos produtos de limpeza comuns os derivados de petróleo ajudam a produzir espuma na hora do uso. "É comum os produtos conterem derivados de petróleo, principalmente aqueles que fazem muita espuma durante o uso. Além disso, alguns fabricantes adicionam alguma matéria-prima biodegradável juntamente com o derivado do petróleo e 'vendem' como se fossem ecologicamente corretos", ressalta Michelle.

Segundo ela, os produtos da empresa têm uma formulação com base em matérias-primas de origem vegetal. "O lava-roupas em pó, por exemplo, após o uso, se degrada em até 21 dias, enquanto os produtos comuns podem levar até 20 anos para se degradar", argumenta a gerente da Gtex.

Veja na próxima página como a Anvisa, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, avalia e classifica este tipo de produto de limpeza.

O que diz a Anvisa

De acordo com uma resolução de 2008 da Anvisa, os produtos de limpeza compostos por tensoativos aniônicos podem trazer em seus rótulos a frase "contém tensoativo biodegradável". O órgão explica que outras classes de tensoativos, como não iônico, catiônico e anfotérico não são considerados biodegradáveis. Tensoativos são substâncias químicas capazes de atrair de um lado as moléculas de água e, de outro, as da sujeira, promovendo a remoção destas da superfície onde se encontram.

A Anvisa também afirma que apenas os tensoativos aniônicos causariam danos ao meio ambiente, por isso a resolução exige que os utilizados na formulação de produtos de limpeza sejam biodegradáveis. Por outro lado, o órgão também explica que não existe um método oficial no Brasil para determinar se um produto de limpeza como um todo, e não apenas seu tensoativo, é biodegradável.

"No nosso rótulo usamos o que todos usam, que é 'tensoativo biodegradável', pois é o que a lei permite. Sabemos que o restante da nossa formulação também é biodegradável, porém não podemos declarar isso no rótulo", comenta Becky Weltiezen.

Por isso, mesmo que o rótulo nomeie o produto como biodegradável, ele pode conter derivados de petróleo como o nonilfenol etoxilado, citado pela Anvisa como um dos mais poluidores. A proprietária da Cassiopéia explica que os derivados de petróleo são manipulados em laboratório até se tornarem um corante, uma fragrância sintética ou um tensoativo, por exemplo. "Quando voltam para a natureza, os micro-organismos que fazem a biodegradação não sabem bem como assimilar estas substâncias, fazendo com que a biodegradação seja muito lenta ou em alguns casos até matando estes micro-organismos devido ao PH muito agressivo do produto", afirma.

Na próxima página, saiba mais sobre as características dos produtos de limpeza biodegradáveis.

Do que são feitos

Os produtos naturais usam o poder de limpeza de substâncias velhas conhecidas de nossos avós, como óleo de coco, babosa, mel, eucalipto e lavanda, entre muitas outras. Segundo Michelle Yoshida, estas matérias-primas foram selecionadas para compor os produtos de limpeza de acordo com suas caraterísticas desengordurantes, no caso de lava-louças, e de promover brancura, no caso de sabão de roupas, e assim por diante.

"Os óleos vegetais saponificados tem um alto poder de limpeza, basta que nos lembremos de quão bem um sabão de coco limpa", ressalta Becky Weltiezen.

Pela composição baseada em elementos de origem vegetal, estes produtos acabam sendo naturalmente antialérgicos e menos agressivos também para o contato com a pele e vias respiratórias de pessoas e animais. A gerente da GTEX comenta que a empresa tem muitos relatos de consumidores que experimentaram a linha por indicação de médicos dermatologistas e pediatras.

As empresas afirmam que os produtos durante o uso cotidiano rendem tanto quanto seus equivalentes sem preocupação ambiental, ou até mais. O poder poluidor das embalagens também não foi esquecido. Na linha Amazon, elas são fabricadas com até 85% menos plástico e a base da fórmula é de babaçu, enquanto na BioWash, os consumidores podem adquirir apenas o refil do produto.

Aprenda 24 maneiras de usar o sal de cozinha na limpeza.

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Comentários


  • 19 de novembro de 2011 às 00:00
    Parabéns Samanta Dias, muito interessante o artigo.

    Eu vou apresentar meu TCC na próxima terça-feira (22/11) que é na verdade um PLANO DE NEGÓCIO para a identificar se há viabilidade para implantar uma Indústria de Produtos de Limpeza Biossustentáveis na Grande Florianópolis SC, por isso visitei a Cassiopéia e montei o um "script" muito similar ao seu texto, para explicar para os professores e alunos o que realmente é um produto de limpeza biodegradável e um produto biodegradável "natural".
    A Sr. Becky merecia no mínimo uma isenção de impostos, pois rema contra a maré, na contramão do ideal de acumular dinheiro ignorando o impacto que isso pode causar para a vidas futuras na Terra .
    Eu não sou nenhum ambientalista, porém fiquei impressionado como há pessoas que abrem mão de lucrar para seguir uma outra ideologia e acreditar na preservação e na sustentabilidade do nosso planeta.
  • 21 de fevereiro de 2012 às 00:00
    Muito boa a matéria. Vi no mercado uma linha chamada ecobril e acho que vale a pena vc verificar tbém, afinal quanto mais opções é melhor para nós consumidores. #ficaadica
  • 18 de julho de 2012 às 00:00
    Pessoal, tenho que confessar que os produtos da Cassipéia são realmente maravilhosos.
    A cada dia que passa percebemos a importância da sustentabilidade, e a Cassiopéia é uma empresa de qualidade e com o selo do IBD, que certifica que toda a cadeia de produção é biodegradável.
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