Calçada precisa ter 3 metros de largura e piso antiderrapante

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Veja outros parâmetros importantes para basear a construção da calçada

As prefeituras são responsáveis por estipular as regras que devem orientar os proprietários de residências e condomínios na hora de construir e manter a calçada. Algumas cidades, como São Paulo, têm leis abrangentes que determinam até qual revestimento deve ser usado, mas, na maioria dos casos, este item fica a critério dos moradores.

As arquitetas Adriana Melo e Daniele Galante, da ADDA Arquitetura, em Presidente Prudente, SP, explicam que no mínimo a legislação de cada cidade costuma estabelecer a declividade máxima da área, que não deve ultrapassar 3%, a divisão em faixa de passeio, de serviço e livre, além das larguras mínimas.

Para o arquiteto paisagista Benedito Abbud, a legislação municipal precisa normatizar também a arborização das calçadas, fator importante na homogeneização da paisagem urbana. "No geral, a paisagem de nossas cidades é heterogênea e descontínua. A arborização, além das questões ambientais, tem o papel forte de homogeneizar e criar a sensação de beleza e bem-estar", defende o arquiteto paisagista.

Antes de começar a construir ou reformar a calçada, portanto, a primeira medida é consultar a prefeitura de sua cidade ou um profissional de arquitetura para saber quais padrões devem ser seguidos. Os arquitetos afirmam que a largura mínima indicada fica entre 2,7 e 3 metros e que a área é dividida entre faixa livre, a mais próxima do muro da casa, faixa de passeio, a mais larga, geralmente com 1,5 metro, e faixa de serviço, onde ficam postes, lixeiras, telefones públicos e árvores, em média com 75 centímetros.

Outro ponto que costuma ser estabelecido em lei é a forma correta de fazer a entrada para a garagem. Pérola Brocaneli, professora de da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie, comenta que a declividade da calçada deve sempre ser mantida e, quando necessária a construção de rampa, ela deve começar apenas após o fim da calçada, ou seja, já dentro do terreno da residência.

Na página a seguir, veja quais os revestimentos indicados para cada uma dessas áreas.

Revestimentos

Adriana Melo e Daniele Galante afirmam que o ideal é que o revestimento da faixa de passeio seja regular e antiderrapante, enquanto as demais áreas recebam cobertura vegetal, como grama, ou de materiais que permitam que a água da chuva seja absorvida naturalmente pelo solo, como pedriscos. Os arquitetos são unânimes ao afirmar que atualmente os revestimentos mais indicados para a faixa de passeio das calçadas são aqueles que mantêm a permeabilidade do solo, como blocos de concreto intertravado.

"Sempre que se fala em semipermeabilidade significa que será colocada uma camada de pedras, que serão batidas, uma camada de areia, que será batida também e por cima, o piso que também é batido. Por isso se chama intertravado, porque as camadas se travam", explica a professora Pérola Brocaneli.

Ela menciona que pedras portuguesas (também conhecidas como mosaicos portugueses) e pedras duras, como granito, podem ser assentadas dessa forma. Benedito Abbud indica uma categoria de revestimentos chamados de pisos drenantes como os mais funcionais para as calçadas. Ele destaca que as pedras naturais, apesar de resistirem bem ao tempo, são impermeáveis. Além disso, algumas delas, como a ardósia, não são indicadas para a calçada por serem lisa demais para este fim.

O concreto é outra categoria de revestimento que além de permeável e antiderrapante tem custo menor do que as demais. A sugestão das arquitetas Adriana Melo e Daniele Galante é revestir a faixa de passeio, destinada ao trânsito de pedestres, com concreto poroso, um tipo de contrapiso mais grosso do que o comum. Ele é feito com britas maiores, o que confere mais aeração à massa, tornando-a permeável. Ainda é possível adicionar pigmentos ao concreto poroso para variar a coloração final. Os pisos de cerâmica antiderrapantes também podem ser aplicados nesta faixa, porém, causam a impermeabilização do solo.

Na próxima página, leia mais sobre revestimentos para as faixas de serviço e livre e sobre arborização.

Mais revestimentos

Os pisos drenantes têm capacidade suficiente para serem aplicados nas áreas de acesso à garagem das residências. Segundo Benedito Abbud, eles apenas não suportam o peso de caminhões de bombeiros. Já o concreto poroso e demais tipos de contrapiso rústico, por serem assentados sobre coxim de areia, podem afundar com a entrada e saída de veículos, por isso a professora Pérola Brocaneli orienta quenestas áreas seja usado concreto armado, que recebe o reforço de uma armação de ferro.

Os blocos de concretos, pedras portuguesas e demais pisos assentados sobre coxim de madeira também podem sofrer com afundamento, mas apresentam resistência maior ao peso de veículos de passeio.

Os pisos gramas e blocos de concreto vazados preenchidos com grama não são indicados para a faixa de passeio porque criam desníveis e obstáculos que dificultam a passagem de pedestres, mas podem ser aplicados nas demais faixas da calçada. Leia mais sobre isso. Para o arquiteto paisagista Benedito Abbud, a faixa livre e o muro ou gradil das residências devem receber arbustos ou trepadeiras. Ele comenta que existem espécies como a unha de gato e falsa vinha que precisam apenas de uma faixa de 10 centímetros para abrigar o canteiro com as raízes, por isso são aplicáveis até em calçadas mais estreitas.

Outra solução para a arborização das calçadas é cobrir o canteiro das árvores que ficam na faixa de serviço com grelhas de ferro. Esses canteiros precisam ter ao menos 80 centímetros de lado e quando há limites de espaço, as grelhas vão manter a permeabilidade do solo e permitir que os pedestres pisem nessas áreas.

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Comentários


  • 14 de junho de 2012 às 00:00
    3 metros de largura? calçada não inclinada nos acessos as garagens? Se multassem quem não respeita isso, simplesmente toda residência / empresa seria multada.
  • 14 de junho de 2012 às 00:00
    As leis são muito bonitas no papel,porque o que se vê nas calçadas de S.Paulo não é bem assim. Por exemplo, num trecho perto de casa, entre a Rua Ribeiro da Silva e Alameda Nothman, as agencias de carro fazem verdadeiros morros nas entradas de seus estabelecimentos, obrigando o pedestre, quando passam por lá, a andarem completamente inclinados, coisa que no meu caso prejudica muito pois tenho problema no joelho e isto afeta muito a caminhada. Que adianta lei se não tem quem fiscalize? Fiz uma denúncia na prefeitura e não adiantou nada. As calçadas continuam a mesma coisa.A quem recorrer caso alguma coisa aconteça ninguém sabe. Espero que as coisas mudem um dia.
  • 14 de junho de 2012 às 00:00
    Passar essas informações para o GDF e Administradores das RA do DF. É só dar uma olhada para verificar que ninguém sabe dessas normas, se que é que são realmente regulamentares.
    Paris, Londres, Nova Iorque e Buenos Aires são cidades que respeitam os cidadãos e têm calçadas que não são armadilhas para "aleijar pedestres". Aqui, no "Reino da Barandalha", parece que os responsáveis pelas calçadas e pela fiscalização da obediência às normas vivem o contubérnio promíscuo do "toma-lá-dá-cá".
  • 20 de junho de 2012 às 00:00
    Calçada? Nunca vi, não conheço, só ouço falar.
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