Soluções para tornar sua casa sustentável

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Você ganha preservando o meio ambiente e poupando dinheiro

Se você e sua família já adotam hábitos sustentáveis como reciclar o lixo, poupar água e energia e dar o destino correto aos equipamentos eletrônicos e óleo de cozinha, por que não implantar na residência soluções que podem diminuir ainda mais o impacto que a ela e seus moradores causam sobre o meio ambiente, como sistemas de captação de energia solar, da água da chuva e reuso da água que iria para o esgoto?

Muitas cidades têm criado incentivos fiscais para que seus moradores incluam nas construções estes itens de sustentabilidade. Em Niterói (RJ), por exemplo, todos os edifícios com mais de 500 m² são obrigados por lei a ter sistemas de aproveitamento da água dos chuveiros, banheiras, tanques, máquinas de lavar e lavatórios, conhecidas como águas cinzas.

Em Curitiba (PR), a prefeitura concede descontos no IPTU para quem mantiver áreas de bosque nativo e certos tipos de árvores no terreno. Veja na TV BBel como a prefeitura de Guarulhos (SP) mudou a lei do IPTU para favorecer construções sustentáveis.

TV BBel: Soluções ecológicas ajudam o meio ambiente

Nós conversamos com especialistas e reunimos abaixo algumas informações que esclarecem como esses sistemas funcionam, quanto custam e como podem ser implantados.

Telhado verde

Telhado verde significa a implantação de uma cobertura vegetal, com grama e flores, por exemplo, sobre a laje tradicional de residências e prédios. Segundo a especialista em bioarquitetura Juliana Boer, da Cria Arquitetura, a vegetação contribui para o isolamento termoacústico das construções e para equilibrar a umidade relativa do ar no entorno da residência, além de melhorar a absorção da água da chuva.

Se você pretende implantar um telhado deste tipo em sua casa, o primeiro passo é procurar um profissional capacitado para avaliar se a estrutura está apta para receber a cobertura ecológica.  A instalação pode ser feita sobre laje ou telha cerâmica. Segundo a empresa Ecotelhado, o custo do metro quadrado instalado do telhado verde varia entre R$100 e R$ 160.

Na próxima página, saiba como usar formas sustentáveis de energia.

Energia solar e energia passiva

Energia solar

A tecnologia de aquecimento solar é a maneira de usar a energia do sol mais acessível no Brasil e serve para substituir a energia elétrica no aquecimento da água do chuveiro. O sistema é formado basicamente por coletor solar, reservatório térmico e tubulações.

De acordo com a Dasol, Departamento Nacional de Aquecimento Solar, vinculado à ABRAVA (Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento), o custo para a instalação de um sistema com um coletor solar de 2 metros quadrados e reservatório de 200 litros, como o padrão adotado pelo programa Minha Casa, Minha Vida, é de R$ 1500 e o investimento é recuperado em média após três anos, com a economia na conta de energia elétrica. Saiba mais sobre o assunto.

Energia passiva

Utilizar energia passiva significa projetar prédios e residências de maneira a aproveitar os recursos e elementos naturais presentes no local da edificação, pegando "carona" no seu potencial energético gratuito. A luz do sol, por exemplo, pode fornecer iluminação e aquecimento natural e o vento, servir como dissipador de calor. Com isso, o consumo de energia elétrica diminui, assim como a necessidade de equipamentos de climatização, como ventiladores e ar condicionados.

Mesmo em casas já existentes é possível seguir este conceito, segundo a arquiteta especialista em sustentabilidade Martha Nader, da Ecohabitar Arquitetura e Construção, rasgando novas janelas, proporcionando a ventilação cruzada e pensado o sombreamento, por exemplo, por meio de um projeto paisagístico. "Árvores de folha caduca bloquearão o sol no verão e permitirão a sua passagem nos dias frios de inverno e a presença de beirais ou brises evitarão a incidência solar direta em janelas com grande exposição, mantendo o ambiente interno fresco", menciona a arquiteta.

Para quem está com a casa em fase de projeto, a especialista indica orientar a construção de forma a que a posição da residência no terreno se adeque ao máximo ao ciclo solar, ao regime de ventos e ao perfil natural do local. "Isso permite, entre outras coisas, aproveitar a iluminação natural (e gratuita) por um maior período de tempo, dispor as aberturas de modo a permitir ventilação cruzada e economizar em terraplanagens, fundações e estrutura", ressalta a especialista.

Na próxima página, leia sobre as maneiras de diminuir o consumo de água potável.

Águas cinzas e água da chuva

Reuso de água

A água usada em residências para lavar roupas, higienizar as mãos e tomar banho pode ser reutilizada para outros fins como lavar o quintal, o carro e abastecer a descarga, tarefas que não exigem obrigatoriamente o uso de água potável. Sibylle Muller, diretora da Acquabrasilis, explica que um sistema de reuso de água é composto por reservatório, tanque de tratamento e por duas tubulações.

A primeira tubulação vai captar a água do chuveiro e da lavanderia após o uso e encaminhá-la ao tanque de tratamento, enquanto a segunda vai transportar a água tratada para os pontos de uso. O tratamento é feito em um tanque de fibra de vidro que pode ser aterrado ou suspenso na propriedade. A água é limpa usando seus próprios micro-organismos e o único produto químico utilizado é cloro, adicionado ao final do processo.

Sibylle avalia que, devido às tubulações, é mais fácil implantar o sistema de reuso de água em novas construções, ainda na fase de projeto. O custo para residências fica em torno de R$ 30 mil, enquanto para edifícios varia entre R$ 60 e R$ 150 mil. "Com a economia na conta de água, os prédios conseguem ter retorno do investimento entre um e dois anos depois da implantação", comenta Sibylle.

Captação de água da chuva

Se você não pretende investir no reuso de água, um sistema de captação da água da chuva é uma alternativa. Um modelo compacto, com capacidade de armazenar 500 litros de água, pode ser encontrado no mercado pelo preço de R$ 1.485,00 para uma residência com área de 80 m². Assim como a de reuso, a água da chuva pode ser usada para lavagem de áreas externas e do carro e até para regar o jardim e completar o nível da piscina.

De acordo com a Aquastock, empresa que lançou um sistema compacto de tecnologia alemã no Brasil, o kit de captação é composto por barril de água, coletor e filtro. Uma vantagem deste sistema é o fato de a tubulação que leva a água captada para a torneira poder ser independente da rede hidráulica da residência, tornando a instalação mais simples.

A seguir, leia sobre como manter áreas permeáveis para prevenir enchentes.

Revestimentos para manter o solo permeável

Quintal e calçada permeáveis

Manter o solo permeável é importante para aumentar a velocidade de escoamento da água da chuva e ajudar a evitar ou a deixar as enchentes menos intensas. Para adotar essa solução ecológica em sua casa, a arquiteta Juliana Boer explica que basta escolher revestimentos como os pisos de concreto intertravado para a garagem e calçada, pois eles permitem que a água penetre no solo.

Este tipo de piso é assentado diretamente sobre terra e preenchido com brita de pneu ou grama, no caso do revestimento vazado. Ou seja, se o seu quintal é de concreto, essa cobertura vai precisar ser removida. O preço médio por metro quadrado deste tipo de piso nas lojas é de R$ 32. A arquiteta comenta que existem outros tipos de revestimento drenantes feitos a partir de concreto e fibras naturais e minerais. Para Juliana, no entanto, esta opção é mais indicada para a calçada, pois pode ser danifica pela movimentação de automóveis.

Árvore na calçada

Cultivar árvores na calçada ajuda tanto a manter um espaço de solo permeável quanto a minimizar os efeitos das mudanças climáticas. A arborização em áreas urbanas, no entanto, precisa ser planejada. O paisagista técnico e decorador, Alexandre Zebral, explica que é necessário levar em consideração a identidade da cidade, assim como aspectos relativos a sombreamento, abrigo e alimento para a avifauna, diversidade biológica, diminuição da poluição e melhoria das condições urbanísticas.

Ele explica que o primeiro passo é fazer um levantamento completo sobre o local onde você mora. "Temos que observar, entre outras informações, a vegetação arbórea e as características da via a ser arborizada, largura do passeio, existência ou não de recuo nas residências, instalação e equipamentos existentes, como postes, placas, telefones, fiação, bueiros, gás encanado, cabos de fibra óptica ou tubulações", enumera o paisagista.

Pata-de-vaca, flamboyantzinho, calistemom, resedá e pitangueira são algumas espécies de pequeno porte, ou seja, com altura máxima de 5 m, que podem ser cultivadas em calçadas. É importante que o canteiro tenha 2m² e que o espaço para o trânsito de pedestres seja ao menos de 1,2 m. As figueiras e os flamboyants não são indicados, pois danificam os passeios.

Leia também sobre materiais de construção ecológicos.

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